ESTATÍSTICAS DE CAÇA EM PORTUGAL Embora o ordenamento cinegético em Portugal tenha começado mais de uma década antes da dos primeiros dados aqui apresentados, referentes a 1999, pretende-se com este capítulo explorar a sua evolução mais recente.
A exploração de dados mais antigos não seria possível em tempo útil à realização deste documento, e provavelmente resultaria num conjunto de dados supérfluos para uma primeira síntese da evolução do ordenamento cinegético que, como referido no editorial, pede actualizações anuais, para que haja lugar a uma boa percepção da mesma.
Os dados apresentados resultam do tratamento de informação variada sobre o sector cinegético, gentilmente cedida pela DGRF. Sendo que este organismo tem competência directa a nível do continente, chama-se a atenção para o facto de a síntese e análise apresentadas não se referirem às regiões autónomas, com órgãos
administrativos próprios.
O número de caçadores que pretendem exercer actividades de carácter cinegético é reflexo do número de licenças gerais de caça vendidas, anualmente. Assim sendo, de acordo com a tabela 1 e a figura 2 pode concluir-se que este valor tem vindo gradualmente a diminuir nas últimas 7 épocas cinegéticas, de forma mais acentuada no que toca aos caçadores com licenças de caça nacionais. Conforme a tabela, o número actual de caçadores em Portugal deverá ser de aproximadamente, 171 mil.
Tabela 1 – Número de licenças gerais de caça vendidas em Portugal continental entre as épocas de 1999-2000 e 2006-2007

Em 7 anos, a quebra global no número de caçadores reflectiu-se em cerca de 51 mil licenças, e destas quase 41 mil corresponderam a licenças nacionais.
No que toca às licenças especiais de caça, contemplando as intenções de caça maior ou às aves aquáticas, os resultados da evolução do número de vendas são um pouco mais contrastantes, sendo que no seu conjunto, baixaram em aproximadamente 16 mil licenças – tabela 2 e figura 3. No entanto, esta quebra é completamente devida ao declínio do número de caçadores habilitados para a caça às aves aquáticas e em grande parte, compensado pelo acréscimo da procura de licenças para caça maior (de quase 24 mil licenças).
Tabela 2 – Número de licenças especiais de caça vendidas em Portugal continental entre as épocas de 1999-2000 e 2006-2007

A extinção das coutadas (zonas privadas de caça) em 1974, o aumento do poder de compra e da facilidade de aquisição de transporte próprio, deu lugar a um acréscimo substancial de caçadores que conduziu a uma exploração desordenada e a excessiva pressão cinegética sobre várias espécies.
Após esta situação, o início do ordenamento cinegético deu-se com a lei n.º30/86, de 27 de Agosto (Lei da Caça), e apenas se efectivou em Agosto de 1988, com a criação oficial da primeira ZC em Portugal.
É razoável então, concluir que as imposições legais entretanto em vigor, aliadas a algumas dificuldades na integração de caçadores no regime ordenado, bem como na criação de ZC e a uma diminuição do poder de compra, parecem estar a contribuir para a diminuição do número de caçadores no país.
Por outro lado, no seio dos caçadores nota-se uma alteração das preferências de caça. A maior procura da caça maior pode ser explicada essencialmente pelo aumento dos efectivos de javali que tinham sido bastante afectados com a situação de falta de ordenamento e pressão cinegética após 1974, bem como, pela peste suína africana entre as décadas de 1960 e 80. No entanto, tal como outras espécies cuja reposição no ambiente tem sido fomentada, saiu beneficiado com abandono rural que aumentou a disponibilidade de habitats, possibilitando-se assim, voltar a explorar um recurso que se tornava escasso.
A procura de aves aquáticas foi provavelmente influenciada pelas alterações da ocupação do solo no país, como por exemplo, o desenvolvimento urbano junto a locais com massas de água apetecíveis, sobretudo no litoral, de tal forma que apenas nas massas de tamanho mais considerável ainda se encontrará um número razoável destas aves, que justifique jornadas de caça.
Tabela 3 - Evolução da área cinegética ordenada (%), em Portugal continental, entre 1999 e 2007.

Entre 1999 e 2001, as IIIª e IVª regiões apresentavam claramente um ordenamento cinegético mais desenvolvido enquanto que no sul do país (Vª região) este processo era o mais incipiente – figura 6. A evolução da percentagem de área com aptidão cinegética, ordenada, fez-se no sentido de um equilíbrio visível entre as regiões, até ao ano de 2007. Ao mesmo tempo, houve um crescimento gradual da percentagem de ordenamento em todas as regiões, no período considerado que resultou no considerável aumento do ordenamento em território nacional, já apresentado.
Tabela 4 - Carta de Caçador
Em complemento ao número de caçadores em efectiva actividade, dado inferido no ponto anterior através do número de licenças gerais de caça, importa referir o reduzido acréscimo anual de indivíduos habilitados para o exercício da caça, com carta de caçador.
Desse modo, concordando com o sucedido com as licenças, pode observar-se que o número de indivíduos que anualmente se apresentam a exame de carta de caçador (vertente teórica e prática) tem vindo a diminuir desde 1999, bem como o número de candidatos aprovados nesse exame.
De destacar no entanto, a melhoria da percentagem de aprovação que, de certo modo, deve reflectir a melhoria da escolaridade dos candidatos a exame.

Alguns dados interessantes onde podemos constatar que este sector tem vindo a ter cada vez menos adeptos, isto deve-se a este sector estar cada vez mais exigente, principalmente a nivél económico.
Dados recolhidos na FencaçaCumprimentos